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Cenário estável indica recuperação econômica

Um ano com melhores resultados é o que representantes de diversos setores da economia esperam para 2020. Essa era a percepção ontem, no evento do Anuário de Investimentos RS 2019, realizado pelo Jornal do Comércio.

“O Anuário de Investimentos é muito importante porque mostra a grandeza do Rio Grande do Sul e dá confiança para o empresário continuar apostando no Estado. Isso chama outras empresas, tanto nacionais quanto internacionais, para fazer novos investimentos”, avaliou o diretor de Operações do Jornal do Comércio, Giovanni Tumelero. Ele também observou que, além de investir em melhorias na produção, as empresas que participaram do evento também demonstram preocupação em aplicar recursos com responsabilidade social.

O presidente do Lide RS, Eduardo Fernandez, é um dos agentes que aponta a expectativa para 2020 como positiva. “Os números apresentados pelo Jornal do Comércio mostram que tivemos um aumento de quase 50% em investimentos no Rio Grande do Sul”, frisa.

O gerente executivo da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Francisco Schmidt, adianta que o setor está animado com o próximo ano e feliz com o desempenho em 2019. “Sempre se espera mais, mas em um ano de pequena recuperação da economia brasileira, os supermercados estão conseguindo um crescimento que chega a quase 4%”, afirma. Para Schmidt, esse cenário indica que o País retomou o seu rumo – para 2020, o objetivo é um incremento de 5% a 6% na área supermercadista.

O presidente da Associação Gaúcha para o Desenvolvimento do Varejo (AGV), Ricardo Diedrich, considera 2019 como um ano difícil – no entanto, agora, no seu final, demonstra evolução. “A Black Friday foi um movimento altamente positivo tanto no meio digital como no físico, as lojas entenderam o espírito da coisa, todos engajados no sentido de fazer mais uma data comemorativa, assim como foi a semana do Brasil”, frisa.

Já o presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil no Estado do Rio Grande do Sul (Sinduscon-RS), Aquiles Dal Molin Jr., julga 2019 como um ano bom, mas não tanto como se esperava.

O empresário recorda que a Caixa Econômica Federal está reduzindo juros e facilitando o crédito, e outros bancos estão fazendo movimentos nesse sentido. “Óbvio que a construção civil para a venda para a classe média ou de baixa renda é muito dependente do crédito”, detalha. O presidente do Sinduscon-RS antecipa que, por motivo de sazonalidade, essa nova realidade deverá ser melhor percebida a partir de abril de 2020.

Quanto à recente questão do encarecimento da carne, o gerente executivo da Agas, Francisco Schmidt, argumenta que, além do aumento da exportação do produto, principalmente para a China, a substituição de campos de pastagens por lavouras, como as da cultura da soja, diminuindo a oferta de gado, fizeram os custos aumentarem. “O preço subiu muito e as vendas caíram, já se registra uma queda em torno de 30% a 35% na venda de carne”, alerta.

Schmidt informa que muitos consumidores estão migrando para produtos suínos ou de frango. Contudo, a expectativa do integrante da Agas é que o custo da carne bovina possa se estabilizar para o final do ano ou até menos reduzir um pouco.

O senador Luis Carlos Heinze (PP) comenta que o preço do produto, durante quatro a cinco anos, estava muito baixo. “Agora, as exportações, que foram abertas pelo governo Bolsonaro, em especial pela ministra Tereza Cristina (da Agricultura), buscando novos mercados, fizeram com que a demanda explodisse”, explica.

No campo macroeconômico, o senador afirma que governo federal está atuando no sentido de equilibrar as contas. De acordo com Heinze, postos de trabalho estão sendo criados, sendo que a estimativa é fechar o ano com quase 1 milhão de novos empregos criados.

Conforme o presidente da Associação Comercial de Porto Alegre (ACPA), Paulo Afonso Pereira, o atual ano foi “para as abóboras se acomodarem”. Para ele, a recuperação da economia não foi ainda o suficiente para todos ficarem satisfeitos, mas as iniciativas nessa área mostram que o País está em processo de transformação. “Há uma vontade enorme do governo de fazer os ajustes que têm que ser feitos e que toda sociedade espera”, diz Pereira.

O dirigente reforça que a economia está “rodando” a uma velocidade que não se via há algum tempo, contudo complementa que é preciso intensificar essa situação. Pereira indica como maior problema do Brasil o desemprego. Para atenuar essa dificuldade, ele vê no setor da construção civil um dos pilares para a recuperação, em particular em ações envolvendo o segmento de saneamento.

Já o presidente do Sistema Ocergs-Sescoop/RS, Vergilio Perius, julga o ano de 2019 como satisfatório para o cooperativismo. Perius cita como destaques as áreas agrícolas, saúde e transportes. Para o próximo ano, Perius antecipa que o setor de crédito deve apresentar um bom desempenho. “A inclusão financeira, já dizia Henrique Meirelles há muitos anos, tem que se dar pelas cooperativas de crédito”, enfatiza.

O presidente do Sindicato Intermunicipal do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes no Rio Grande do Sul (Sulpetro), João Carlos Dal’Aqua, admite que 2019 foi um período difícil para o segmento, devido às margens muito apertadas. “Para 2020, não esperamos um ano maravilhoso, mas não pior que esse e sim com avanços”, projeta. Para superar as dificuldades com as menores receitas, Dal’Aqua argumenta que os revendedores precisam fazer ajustes e procurar novas fontes de receita.

o que disse cada um (fotinhos com aspas em duas colunas)

Anuário de Investimentos JC Na foto: Paulo Afonso Pereira

MARCO QUINTANA/JC

“O Anuário mostra a grandeza do Estado e dá confiança ao empresário para continuar investindo” – Giovanni Tumelero, diretor de Operações do JC
“Há uma vontade enorme do governo de fazer os ajustes que têm que ser feitos e que toda sociedade espera” – Paulo Afonso Pereira, presidente da ACPA.
“A inclusão financeira, já dizia Henrique Meirelles há muitos anos, tem que se dar pelas cooperativas de crédito” – Vergílio Perius, presidente do Sistema Ocergs.
“Achamos que o setor, em 2020, começará a realizar efetivamente as obras que estão represadas, principalmente, no segmento residencial” – Aquiles Dal Molin Jr., presidente do Sinduscon-RS.
“O governo federal está atuando no sentido de equilibrar as contas. Mais postos de trabalho estão sendo criados, e a estimativa é de fechar o ano com quase 1 milhão de novos empregos”, Luis Carlos Heinze, senador.
Fonte:  Jornal do Comércio
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