
Sob a influência dos termômetros, que registram temperatura mais baixa, consumidores gaúchos começam a preparar o guarda-roupa para o inverno. E devem apostar como nunca em produtos diferenciados e em sintonia com o que está em evidência na estação.
Essa mudança no comportamento está fundamentada na melhora do poder aquisitivo do brasileiro, que se permite melhorar o closet na troca da estação.
– As pessoas têm procurado comprar mais em razão do que está em alta – avalia Carlos Graça de Araujo, presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e Malharias da Região Nordeste do Estado (Fitemasul).
Para acompanhar o ritmo e fazer frente aos produtos importados, as malharias seguem as tendências e investem em cores. Além disso, a malha vem se transformando em “um bom acessório” de inverno, garante Araujo.
Na moda masculina, a situação se repete, segundo Nelson Jawetz, presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário do Estado (Sivergs). À frente de uma loja especializada em moda masculina, ele percebeu um aumento na procura por malharias e blazers diferenciados, que ajudam a “incrementar o estilo”.
– As pessoas estão comprando mais e melhor – afirma.
Percepção corroborada pelo consultor de varejo e professor da ESPM, Roberto Salazar, que acrescenta: a expansão na oferta de crédito também permitiu que o consumidor buscasse itens mais elaborados. Hoje, até as pet shops têm produtos de inverno.
Estimulada pela onda de frio, a empresária Mônica Bravo, 38 anos, saiu em busca de novas calças jeans em um shopping da Capital. Para garantir boas compras na estação, ela tem a sua receita:
– Gosto de ter uma ou outra peça diferenciada mas, nos casacos mais pesados, procuro fugir da moda.
Pesquisa constata aumento de preço
Dados da Fundação Getulio Vargas (FGV) mostram que nos últimos 30 dias o preço do vestuário registrou alta de 1,24% na Capital. Entre os itens com os maiores acréscimos estão o blazer masculino, que ficou 4,51% mais caro, e os agasalhos e conjuntos femininos, 5,45% e 3,64% mais altos, respectivamente.
– A cada início de estação há uma alta de preços. E a confecção de inverno, tradicionalmente, é mais cara que a de verão, um dos fatores que ajudam a elevar os índices – avalia Marcio Fernando Mendes da Silva, coordenador em Porto Alegre do escritório do Instituto Brasileiro de Economia da FGV.
Representantes do varejo e do comércio, no entanto, garantem que as peças não devem ter aumento de preço em relação ao último ano, sob o argumento de que as encomendas são feitas com antecedência.
– O lojista não repassa os índices inflacionários – diz Vilson Noer, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre.
Tecnologia para esquentar
No setor de eletroeletrônicos, um item pode esquentar as vendas do inverno no Estado: a lareira elétrica. Com sarrafos de fibra que dão dimensão em 3D, o produto imita uma lareira de verdade e pode ser pendurado como objeto de decoração, com a vantagem de aquecer o ambiente.