
A retomada do crédito no período pós-crise elevou em 40% o número de brasileiros com dívidas acima de R$ 5 mil. Além disso, 25,7 milhões de consumidores brasileiros recorreram a empréstimos com valores acima desse valor, ou seja, cerca de 20% dos brasileiros com mais de 16 anos têm dívidas que equivalem a, pelo menos, quatro vezes a renda média nacional mensal, segundo dados divulgados hoje pelo Banco Central.
De acordo com o professor de finanças da FGV, Fabio Gallo Garcia, a compra de bens duráveis é um dos motivos para esse endividamento dos consumidores brasileiros:
_ Os consumidores têm grande propensão ao consumo de bens duráveis como carros, motos, TVs de tela plana e computadores, que custam mais de R$ 5 mil. Somando-se a isso, há também a falta de planejamento financeiro, que contribui ainda mais para o aumento do endividamento.
E a tendência para os próximos meses é de que o governo adote medidas para inibir a aceleração do consumo, o que já começou com a alta dos juros.
O professor aconselha que é preciso fazer um planejamento financeiro familiar rigoroso, construindo o o orçamento, considerando todas as receitas e despesas da casa. Com base nessa organização, deve ser verificado em que itens é possível economizar e só fazer novas dívidas que de fato caibam no bolso. Ele dá um exemplo ao falar sobre a compra da casa própria, que não pode comprometer mais do que 30% da renda mensal para o pagamento das prestações. E, para a compra do carro, apenas o que couber no orçamento, já descontando todos os gastos que o carro traz como combustível, seguro, estacionamento, revisão mecânica.