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Economia gaúcha evolui melhor que a do País, aponta boletim do BC

A economia gaúcha vem apresentando desempenho superior à nacional. Essa é a avaliação do Banco Central (BC), que divulgou, na sexta-feira, em Porto Alegre, o Boletim Regional, com os dados econômicos das regiões brasileiras.
Segundo o BC, a atividade econômica gaúcha, medida pelo Índice de Atividade Econômica do Banco Central – Rio Grande do Sul (IBCR-RS), aumentou 0,7% no trimestre encerrado em maio, compensando a retração observada no trimestre anterior. Além disso, o indicador gaúcho expandiu 4,3% em 12 meses até maio, ante alta de 1,3% do índice nacional (IBC-Br) no mesmo período.
De acordo com o boletim, essa evolução repercutiu, especialmente, o crescimento da produção industrial, que tem se mostrado mais dinâmica do que a média nacional. No setor fabril, a produção cresceu 2,1% no trimestre finalizado em maio, na comparação com o encerrado em fevereiro, conforme o IBGE, destacando-se as expansões em produtos do fumo e outros produtos químicos. No acumulado em 12 meses, a produção industrial gaúcha cresceu 9,2%, liderada pela indústria automotiva, de produtos de metal e de máquinas e equipamentos.
A despeito desse resultado, o nível de confiança dos empresários industriais apresentou deterioração, mas permanece em área que representa otimismo – o Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei), da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), atingiu 55,8 pontos em junho, ante 64 pontos em março. A opinião dos empresários sobre as condições atuais tornou-se pessimista em junho, após sete meses de avaliações favoráveis, o que pode vir a comprometer futuros investimentos.
No comércio, o crescimento das vendas no Estado desacelerou de 0,7%, no trimestre até fevereiro, para 0,4% entre março e maio, segundo dados do IBGE. O desempenho em 12 meses até maio aponta crescimento de 5,3% – ante 3,8% na média nacional.
Já o volume de serviços prestados no Estado registrou recuo de 2,0% no trimestre encerrado em maio na comparação ao encerrado em fevereiro, conforme dados dessazonalizados do IBGE. Em 12 meses, o recuo na prestação de serviços foi de 1,4%.
Em relação ao mercado de trabalho, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), foram extintos 11,2 mil postos de trabalho no trimestre encerrado em maio na economia gaúcha, ante 688 novas vagas em igual período de 2018. O resultado refletiu – além das demissões sazonais nessa época no setor agropecuário – a debilidade da construção civil, com extinção de 2,5 mil vagas, ante criação de 2,1 mil em igual intervalo de 2018, e o arrefecimento nas contratações em atividades industriais e de prestação de serviços.
Considerando os indicadores de oferta, a estimativa de junho para a produção estadual de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2019, segundo o IBGE, totalizou 34,5 milhões de toneladas (4,3% superior à de 2018). Destacou-se a expansão de 5,5% na produção de soja, favorecida pelo aumento de 2,5% na área colhida, que substituiu o cultivo de arroz em algumas regiões. Relativamente à pecuária, o número de abates de aves e suínos expandiu 6,7% e 10,0%, respectivamente, nos cinco primeiros meses de 2019, enquanto o de bovinos decresceu 12,0%. O Estado respondeu, na ordem, por 15%, 21% e 3% do total nacional abatido, na mesma base de análise.
A balança comercial do Rio Grande do Sul registrou superávit de US$4,8 bilhões no primeiro semestre de 2019, 13,4% inferior ao do mesmo período de 2018. No entanto, se excluídas as exportações “contábeis” de plataformas de petróleo, as vendas externas recuaram 14,0%, resultante de quedas em torno de 7% tanto nos preços quanto no volume embarcado.
O desempenho dos produtos básicos refletiu a queda pela metade nas vendas de soja, principalmente para a China, parcialmente compensadas por aumentos nos embarques em fumo, carne de suíno, trigo e milho. As exportações de manufaturados foram negativamente impactadas pela redução de 42,0% em automóveis de passageiros, cujo destino principal é a Argentina. Diversamente, as vendas de semimanufaturados cresceram no semestre, condicionadas pelo aumento de 63,2% em celulose.
No período também houve queda no valor das importações, que resultou quase que inteiramente do recuo nas quantidades adquiridas (-13,6%). A maior redução foi em bens de consumo, liderada pelo decréscimo de 57,1% nas aquisições de automóveis para passageiros.
Fonte:  Jornal do Comércio
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