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Empresários devem investir mais em 2020

Marcelo Beledeli

Apesar de a recuperação da economia ainda estar em marcha lenta, o quadro de investimentos em novos projetos no Rio Grande do Sul indica que as empresas apostam no futuro. Este é um dos diagnósticos do Anuário de Investimentos 2019, lançado nesta segunda-feira (2) em evento do Jornal do Comércio na Associação Comercial de Porto Alegre (ACPA).

Para empresários e executivos que participaram da apresentação, o otimismo com a economia, que incentivou os investimentos em 2019, deve continuar em 2020. Durante o evento, representantes da RGE, do Sicredi e da CMPC destacaram os aportes realizados pelas suas companhias e suas perspectivas para o futuro.

O vice-presidente da Central Sicredi Sul, Márcio Port, acredita que a expectativa de negócios para as empresas em 2020 é otimista, devido aos indicadores econômicos. “Esse cenário de inflação baixa e juros reduzidos permite que pessoas apostem um pouco mais na economia real. Os empresários estão mais propensos a retirar dinheiro que estava aplicado no meio financeiro e, com isso, realizar investimentos”, destacou.

Port também afirmou que a publicação do JC pode motivar companhias a destravarem planos para 2020. “Muitas empresas não sabem o que esperar de 2020. Ao ver todo esse investimento ocorrendo, pode dar motivação para quem está na dúvida”, pontuou Port.

Um exemplo desse otimismo com os negócios é a expectativa do Sicredi de abrir 29 novas agências no Rio Grande do Sul. Atualmente, a cooperativa de crédito possui 602 unidades no Estado, estando presente em 93% dos municípios gaúchos. “Temos ótimas perspectivas em relação ao agronegócio, que é um dos principais motores da economia gaúcha, especialmente dos pequenos municípios, onde nossa presença é ainda mais forte”, destacou Port.

Maior distribuidora de energia do Rio Grande do Sul, a RGE, que pertence ao grupo CPFL, investiu R$ 605 milhões no Estado de janeiro a setembro de 2019, montante 24,7% maior do que no ano passado. Segundo o diretor-presidente da RGE, Marco Antonio Villela de Abreu, esse aumento de aporte serve, justamente, para elevar a capacidade de infraestrutura a fim de suportar o crescimento do mercado gaúcho e melhorar o fornecimento de energia para a população. Com os recursos estão sendo construídas 12 novas subestações e 270,9 quilômetros de linhas de transmissão. “Acreditamos que a economia vai crescer e estamos nos preparando para isso”, afirmou Abreu.

Uma oportunidade de investimento para a RGE em 2020 é a privatização da CEEE, aprovada pela Assembleia Legislativa no primeiro semestre. O governo gaúcho quer fazer a venda da estatal até a metade de 2020. “Vamos avaliar e podemos sim participar do leilão”, disse Abreu.

O presidente da RGE destacou ainda a importância da publicação do JC para subsidiar decisões de grupos corporativos como a RGE. “O anuário é muito rico de informação e subsidia a tomada de decisões sobre nossos investimentos”, reforçou.

Já o diretor da CMPC, Mauricio Harger, projetou mais investimentos no Rio Grande do Sul e citou que, em 10 anos de chegada da companhia chilena ao Estado, a empresa investiu R$ 12 bilhões. O maior aporte foi na expansão da planta de Guaíba. “Mas todo ano aportamos R$ 1,4 bilhão na compra de materiais e serviços. Deste aporte, R$ 1 bilhão fica no Estado, sendo R$ 500 milhões somente em Guaíba”, diz Harger.

O CEO citou ainda que a companhia aplica R$ 30 milhões em projetos sociais. “É o maior projeto social corporativo no Estado”, destacou. Um dos novos projetos será a revitalização da orla do Guaíba, no lado da cidade onde fica a planta de celulose.

Além disso, a empresa aposta no aumento de negócios com a expansão da bioeconomia, graças à substituição de produtos com origem em combustíveis fósseis para matérias-primas renováveis, como a celulose. Outro foco da CMPC é a economia circular, que consiste em fazer o melhor uso de tudo o que é consumido, aproveitando resíduos e materiais descartados e os transformando em novos produtos. Para isso, a CMPC realiza a reciclagem de 99,7% dos resíduos da produção de celulose. “Os próximos 10 anos serão mais entusiasmantes, com o crescimento da demanda por produtos renováveis e sustentáveis. Vamos seguir nosso protagonismo mundial nessa área, sou entusiasta no sentido de investimentos”, afirmou Harger.

Montante de R$ 31,2 bilhões aplicados em 2019 é 42% superior ao do ano passado

Em sua segunda edição, o Anuário de Investimentos do Jornal do Comércio mapeia os aportes realizados no Rio Grande do Sul ao longo do ano. A publicação mostra que os investimentos no Rio Grande do Sul alcançaram R$ 31,2 bilhões em 2019, um crescimento de 42% frente aos R$ 22,2 bilhões de 2018, considerando os dados do anuário do ano passado, quando a publicação estreou. Os valores são referentes a investimentos acima de R$ 10 milhões que tenham, de fato, saído do papel ou que tenham sido formalizados.

O Anuário de Investimentos é feito a partir de reportagens publicadas pelo Jornal do Comércio ao longo do ano e com informações fornecidas pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico e Turismo sobre os empreendimentos mapeados e formalizados ao Estado. Em 2019, o levantamento aponta 100 investimentos anunciados, em execução ou inaugurados ao longo deste ano, em mais de 50 cidades em diversas regiões do Rio Grande do Sul.

É possível que nem todas as iniciativas em andamento tenham sido incluídas, seja pelo porte, seja por não terem sido identificadas ou suficientemente divulgadas. Para ajudar na atualização desses valores, neste ano o Anuário também lançou o Investômetro, que atualiza a soma de investimentos a cada novo empreendimento anunciado.

O editor-chefe do Jornal do Comércio, Guilherme Kolling, fez a apresentação dos números, destacando que o Anuário mostra toda a carteira de investimentos do Estado. “Outra novidade deste ano é a análise setorial, que mostra tendências e o impacto dessas iniciativas na economia gaúcha”, concluiu.

Fonte:  Jopnal do Comércio

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