CDL GRAMADO

Quem vê cara não vê o cliente

Quem vê cara nem sempre vê o bolso ou a vontade de um potencial cliente e pode deixar de fazer uma boa venda por pura discriminação pela aparência ou pelo traje. A história da professora de Educação Física que foi morar bem perto do mar ilustra bem essa história.

Saída do interior e empolgada com a nova vida de trabalho, mas com pé na areia e braços ao mar, a primeira coisa que Rita pensou foi comprar uma prancha de stand up paddle e sair remando em seu novo “quintal”. Não só pensou como embarcou no sonho de curtir ao máximo. Comprou a bela e enorme prancha branca.

Os seus 50 anos não eram suficientes para a aposentadoria como professora, mas estava perto. Nada como ir treinando para a próxima fase da vida com seu SUP. Maneira de manter a forma, pegar uma cor, e ainda desfrutar da natureza.

A enorme prancha, no entanto, trouxe nova exigência. Como chegar até a água com sua miniembarcação de 10 pés?

Assim, a segunda coisa que pensou foi que precisava de um novo carro. E dos grandes. Um sport utility vehicle, popularmente conhecido no Brasil como SUV, ou seja, um utilitário esportivo.

– Preciso de um SUV para meu SUP – concluiu a professora.

Não era nada que suas economias de anos como funcionária pública e sua disposição de dar a entrada com seu carro menor, mas ainda digno, não pudessem dar conta.

– Se temos uma nova vida, vamos a ela – pensou Rita, enquanto acabava de degustar seu açaí, em pleno sábado de sol na areia, mas ainda com a prancha em casa.

Levantou a barraca e partiu, rumo ao centro da cidade em busca de uma concessionária. Tinha uma marca na cabeça e pensou ter tido sorte ao encontrar a loja.

Ainda de short e chinelos, chegou à imponente loja de carros importados. Estranhou que não a recepcionaram, mas imaginou que o horário do almoço havia tirado os vendedores do local. Aguardou mais alguns segundos e nada. Nenhum contato!

Um funcionário com a camisa da empresa pediu que ela esperasse, mas saiu com um casal e um menino sapeca, ávido pelo novo carro da família.

Cinco minutos depois, um vendedor apareceu.

– Olá, em que posso ser útil?

– Eu gostaria de ver um carro desse – apontou para o impecável veículo estacionado dentro da loja.

– Mas a senhora não terá dinheiro para comprá-lo. É o último modelo da montadora.

Com os pés repletos de areia, por alguns instantes, Rita sentiu que o problema era ela e, meio envergonhada até para pedir desculpas, saiu da loja, ainda meio atordoada. Foi então que se deparou com outra poderosa concorrente da primeira montadora, bem em frente.

Ela imediatamente recuperou a razão, atravessou a rua e encontrou o SUV com o qual havia sonhado pelas últimas duas horas. Achou também o atendimento completamente diverso do que havia recebido na hora anterior.

Quatro dias depois, Rita voltou para pegar o carro. Ainda com raiva, a professora não resistiu. Pegou o retorno, parou em frente à primeira loja e buzinou.

– Tive dinheiro para comprar lá – apontou.

No mais, foram só mais duas buzinadas, antes de partir com sua prancha SUP sobre o seu carro SUV.

Fonte:  Revista Varejo

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