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Ritmo de crescimento do crédito para famílias avança e atinge maior patamar desde 2015

O ritmo de crescimento do crédito às famílias no país é o maior desde o final de 2015, informou o Banco Central (BC) nesta quinta-feira em seu Relatório de Estabilidade Financeira, publicado semestralmente. Ainda segundo a autoridade monetária, o crédito bancário às empresas recuou, mas tem sido compensado pelo financiamento via mercado de capitais.O documento mostra que a carteira doméstica de crédito bancário aumentou 1,2% entre dezembro de 2018 e junho de 2019. No caso das famílias, o crescimento foi de 4,5%. Já entre as empresas, a queda foi de 2,9%.

De acordo com o BC, o cenário é mais favorável à concessão de crédito às famílias por conta das taxas de inflação e de juros historicamente baixas, e por um aumento médio da confiança do consumidor para tomar empréstimos nos último quatro anos. A análise do BC indica ainda que o ritmo de crescimento do crédito para pessoas físicas está concentrado nas linhas voltadas ao consumo, que vêm avançando num ritmo semelhante a 2012, quando esse tipo de crédito começou a perder força.O documento informa que “o crédito às pessoas físicas deve continuar em ascensão, com nível de risco pouco acima do atual, dada a estratégia dos bancos de avançarem em modalidades mais rentáveis e arriscadas. Contudo, sem uma efetiva retomada da economia, essa estratégia pode ser alterada”.

Ainda que o crédito às grandes empresas tenha arrefecido, esse segmento tem conseguido substituir o crédito bancário pelo financiamento via mercado de capitais. No âmbito das pequenas e médias empresas, porém, o cenário é diferente, registrando crescimento positivo.O Banco Central afirma ainda que os números demonstram o processo de recuperação da economia brasileira, dando ênfase não só às baixas taxas de inflação e de juros, mas também ao nível de emprego, que decresceu nos últimos doze meses.

O diretor de Fiscalização do Banco Central, Paulo Souza, destacou que o nível de pagamento do cartão de crédito na data do vencimento cresceu em função das campanhas de educação financeira que tem sido realizadas:

“Cada vez mais as pessoas estão pagando o cartão de crédito no seu vencimento, sem entrar em juros”, disse.

O Banco Central informou também que a rentabilidade dos bancos cresceu no primeiro semestre. Segundo o BC, o crescimento da participação do crédito às famílias e às pequenas e médias empresas na carteira das instituições financeiras ajudou empurrar para cima esse indicador, bem como o aumento da participação de linhas mais rentáveis no mix dessas carteiras.

O retorno sobre o patrimônio líquido anual (ROE) do sistema bancário alcançou 15,8% em junho de 2019, um aumento de 1,1 ponto percentual em relação a dezembro do ano passado, influenciado, entre outros fatores, pela redução do custo de captação do dinheiro pelos bancos no mercado, diante da baixa da taxa básica de juros.Nos Estados Unidos, por exemplo, esse indicador está em 3,5%. Em países europeus, a exemplo da Itália, da Alemanha e da França, o percentual atual é de 4%, 5,3% e 6,5%, respectivamente. Já na vizinha Argentina, o ROE é o maior registrado: 55.8%.

Os riscos político-fiscais do país perderam força, segundo o BC, mas ainda são a maior preocupação do mercado. A reforma da Previdência é apontada como principal elemento causador dessa percepção. Ainda que a aprovação do texto na Câmara dos Deputados tenha aliviado  o nível de preocupação do mercado, os atrasos na tramitação da matéria no Senado ainda são fonte de apreensão no momento.O relatório aponta ainda o peso do cenário internacional na percepção de risco pelo mercado, vinda principalmente da tensão comercial entre os Estados Unidos e a China.

Fonte:  Época Negócios
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